A frequência com que um gato precisa de ser desparasitado depende quase inteiramente do que come e de onde anda. Um gato adulto estritamente de interior que não caça é normalmente tratado uma a duas vezes por ano. Um gato que caça, sai à rua ou vive com pulgas precisa de tratamento a cada um a três meses. Os gatinhos seguem um calendário bastante mais apertado.
A resposta curta
- Gatinhos: a cada 2 semanas das 3 semanas aos 3 meses, depois mensalmente até aos 6 meses.
- Gatos adultos de interior: 1 a 2 vezes por ano, ou análise de fezes em vez de tratamento às cegas.
- Gatos com acesso ao exterior ou caçadores: a cada 1 a 3 meses, todo o ano.
- Gatos com pulgas: trate a ténia e as pulgas, caso contrário os parasitas voltam logo.
- Gatas gestantes ou a amamentar: segundo o esquema definido pelo veterinário, normalmente em conjunto com os gatinhos.
Calendário por idade e estilo de vida
Os intervalos seguem a abordagem baseada no risco usada pelo Companion Animal Parasite Council na América do Norte e pela ESCCAP na Europa. Ambas publicam orientações regionais, porque a pressão parasitária na costa mediterrânica não é a do norte da Escandinávia.
| Gato | Com que frequência | Porquê |
|---|---|---|
| Gatinho, 3 a 12 semanas | A cada 2 semanas | Os ascarídeos passam pelo leite materno e a reinfestação é constante |
| Gatinho, 3 a 6 meses | Mensal | Mais exposição, imunidade ainda em desenvolvimento |
| Adulto, só interior, sem pulgas | 1 a 2 vezes por ano | Risco baixo, mas não nulo |
| Adulto com acesso ao exterior | A cada 3 meses | Mínimo padrão para qualquer gato que saia |
| Adulto que caça regularmente | Mensal | As presas são a principal fonte de ténia e ascarídeos |
| Qualquer gato com pulgas | Já, e depois controlo mensal de pulgas | As pulgas transportam a ténia felina mais comum |
| Casa com crianças pequenas | No mínimo a cada 3 meses | Os ovos de ascarídeo podem infetar pessoas |
Que parasitas estamos realmente a tratar?
Desparasitar não é um medicamento contra um parasita. Produtos diferentes cobrem vermes diferentes, e é exatamente por isso que o desparasitante que resultou com o gato do vizinho pode ser a escolha errada para o seu.
Ascarídeos
O parasita felino mais comum do mundo. Os gatinhos adquirem-nos sobretudo pelo leite materno e os adultos ao caçar ou por solo contaminado. Os ovos sobrevivem anos no ambiente e são a principal razão pela qual a desparasitação também é uma questão de saúde humana.
Ténias
Os gatos infetam-se de duas formas: engolindo uma pulga infetada durante a higiene, ou comendo presas. Os segmentos visíveis junto à cauda parecem grãos de arroz. Muitos desparasitantes de largo espetro não cobrem a ténia: se o seu gato caça ou já teve pulgas, verifique o folheto com atenção.
Ancilóstomas
Menos frequentes do que os ascarídeos mas mais lesivos, porque se alimentam de sangue e podem causar anemia em gatinhos. São adquiridos por solo contaminado, mais um argumento para tratar gatos de exterior com calendário fixo.
Vermes pulmonares
Adquiridos ao caçar caracóis, lesmas ou roedores. Tosse e respiração difícil num gato de exterior nunca devem ser atribuídas a asma sem que o veterinário exclua vermes pulmonares, porque os desparasitantes padrão nem sempre os cobrem.
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Se retiver uma só ideia deste guia, que seja esta: o calendário segue o comportamento, não o almanaque.
Um gato que apanha um rato por semana reinfesta-se todas as semanas. Tratá-lo duas vezes por ano elimina os parasitas de hoje e deixa-o reinfestado em quinze dias. Do mesmo modo, uma única pulga engolida durante a higiene basta para reiniciar uma infestação por ténia: desparasitar um gato sem tratar também as pulgas, os outros animais e a casa é um ciclo que nunca fecha.
Sinais de que o seu gato pode ter parasitas
Muitos gatos infestados parecem perfeitamente normais, e é precisamente esse o argumento a favor do tratamento de rotina. Quando surgem sinais, procure:
- Segmentos semelhantes a grãos de arroz junto à cauda ou na cama
- Vermes visíveis nas fezes ou no vómito
- Abdómen distendido, sobretudo em gatinhos
- Perda de peso apesar de apetite normal ou aumentado
- Pelo baço e em mau estado
- Diarreia, por vezes com sangue
- Gengivas pálidas, sugerindo anemia e exigindo atenção no próprio dia
As variações de peso inexplicadas devem ser medidas e não estimadas a olho: a nossa tabela de peso do gato por raça explica qual é o intervalo normal.
Pode desparasitar-se em excesso?
Os desparasitantes modernos têm uma margem de segurança ampla e o tratamento mensal é uma recomendação normal para gatos de alto risco. Os limites reais são o custo, o stress de medicar um gato que detesta isso e a preocupação a longo prazo com resistências, não a toxicidade.
Para gatos de interior de baixo risco há um caminho intermédio que muitos veterinários preferem: em vez de tratar às cegas duas vezes por ano, analisar as fezes duas a quatro vezes por ano e tratar apenas em caso de resultado positivo.
Nunca use um produto para cães num gato. Alguns antiparasitários caninos contêm permetrina, gravemente tóxica para gatos e potencialmente fatal.
Parasitas e saúde humana
É isto que torna a desparasitação mais do que uma questão felina. Os ovos de ascarídeo eliminados nas fezes tornam-se infetantes ao fim de duas semanas no ambiente e podem causar larva migrans nas pessoas, sobretudo em crianças pequenas que brincam na terra ou na areia. As diretrizes de prática da FelineVMA tratam o controlo parasitário de rotina como uma precaução para toda a casa.
Na prática: tapar caixas de areia de brincar, lavar as mãos depois da jardinagem, limpar a liteira diariamente e encurtar os intervalos em casas com crianças pequenas.
Os gatos de interior não são exceção
Os gatos que não saem têm um risco realmente menor, não nulo. Os ovos de ascarídeo entram em casa nos sapatos. Moscas e ratos encontram o caminho para um apartamento. Um gatinho novo traz os seus próprios parasitas. Uma a duas vezes por ano, ou análises periódicas, é o mínimo sensato.
Construir uma rotina que se aguenta
A desparasitação falha pela mesma razão que a vacinação: ninguém se lembra da data. Um tratamento trimestral é fácil de prometer em janeiro e fácil de esquecer em abril. Escolha uma âncora fixa, como o primeiro fim de semana de cada trimestre ou o mesmo dia do antipulgas, e registe cada administração num sítio onde volte a olhar.
O PetVitals guarda cada tratamento como registo de saúde com data e avisa antes do seguinte, para que três meses continuem a ser três meses. Se também tiver um cão em casa, o calendário de vacinação do cachorro explica como a desparasitação encaixa nos primeiros seis meses.
Este artigo é informação geral e não substitui aconselhamento médico-veterinário. O risco parasitário e os produtos autorizados variam por país. Pergunte ao seu veterinário qual o desparasitante adequado ao seu gato e com que frequência deve ser administrado.